Os Mecanismos de Defesa do Ego


Introdução:

O homem ao ser concebido é apenas um ser biológico e é na integração com o mundo social que ele se torna um verdadeiro ser humano, que possui necessidades físicas, psíquicas e sociais que lhe provocam tensões.
Quando uma necessidade é suprida, por meio de uma ação para com um objeto, acontece o relaxamento, o equilíbrio chamado de homeostase. Caso contrário, essa tensão transforma-se em frustração.
Dessa maneira surgem os mecanismos de defesas do ego, uma tentativa de impedir que o corpo e mente seja tomada por uma forte ansiedade. 



1.      Síntese do Modelo da Mente

Freud acreditou que a mente humana enfrenta três demandas conflitantes, as do corpo, a da realidade, e da moral, um distintivo da personalidade (id, ego, superego).


Figura 1 Níveis de consciência do id, ego, superego.



1.1 Id

“Um caos, um caldeirão de excitação insaciável” (Freud). A moradia dos instintos habitada pela a alma da personalidade. O id opera com o princípio do prazer.
Para reduzir a tensão o id usa o processo primário de pensamento. A formação da imagem de um objeto desejado, para satisfazer o impulso.

1.2 Ego

O ego desenvolve a medida que aprendemos a realidade distinta das próprias necessidades e desejos. Ele é controlado e lógico. Sua função abrange em encontrar um objeto que sacie o id de acordo com o principio da realidade.

1.3 Superego

Ele funciona pela busca da perfeição e admirando o idealismo. É a internalizarão de valores e padrões. Quando o ego vai contra os princípios morais o superego gera sentimentos de culpa.


2.      A Ansiedade

Ansiedade e medo se assemelham, há tremores, taquicardia, transpiração, palidez entre outros sintomas.  A diferenciação de ambas se dá por meio da caracterização, o medo é uma reação diante de um perigo real enquanto a ansiedade é a impressão de que algo ruim e indefinido venha a ocorrer.

2.2 Bases Fisiológicas da Ansiedade
A ansiedade começa com uma “mensagem” de perigo enviado pelo ambiente. Uma rede de células nervosas localizadas no tronco cerebral (Formação Reticular), alerta o córtex cerebral para informações sobre eventos potencialmente perigosos. Esse avalia, identifica e toma as decisões sobre o comportamento subsequente.
Ao processar as informações o córtex comunica-se com o hipotálamo, que trabalha para regular as emoções.





Figura 2 Partes do celebro especialmente ativas quando as pessoas experimentam ansiedade e outras emoções.

 
3.      Os Mecanismos de Defesas

O ego entra num dilema de atender o id, o superego e o ambiente.  É sua função atender os anseios de todos de maneira que não inflija os princípios de cada.
Quando o ego esta consciente da situação, as supera através da lógica, objetivo e racional, mas quando tal situação possa a vir a provocar um sentimento de culpa ou ansiedade são ativados inconscientemente os mecanismos de defesas.
Seja qual for o mecanismo escolhido, exigirá uma energia psíquica. As estratégias de esquivas[1] ajudam as pessoas a encobrir e distorcer a realidade evitando que a ansiedade chegue ao consciente, com fim de proteger o ego contra uma dor psíquica iminente.

3.1 Sublimação

É a canalização da libido para outra função.
Ex: No convento as freiras têm suas energias sexuais, inatas do ser humano, canalizadas para outras atividades.

3.2 Repressão

É a manobra psíquica que pretende extrair do consciente o teor desagradável ou importuno.

3.3 Racionalização

É o processo em que se apresentam explicações coerentes do ponto de vista lógico, e aceitável do ponto de vista moral, para uma ação, idéia, sentimento etc. cujo verdadeiro sentido não se percebe.
Ex: Levar um fora do meu namorado foi a melhor coisa que me aconteceu, pois me forçou  a tornar-me mais independente. (estratégia do limão doce).
       Ainda bem que não passei no vestibular, só ia aumentar meu estresse. (estratégia das uvas verdes).

3.4 Projeção

É a atribuição a outro, de impulsos inaceitáveis do id no qual o ego recusa a reconhecer.
Ex: Um garoto ciumento briga e acaba com um namoro, e diz que acabou porque sua namorada era uma vagabunda.

3.5 Deslocamento

É o mecanismo no qual o todo é representado por uma parte ou vice-versa.
Ex: Uma pessoa tem uma experiência desagradável com um professor, acaba por não gosta daquela matéria. Ou tem dificuldade em uma matéria e acaba não gostando do professor.



3.6 Identificação

É a assimilação psíquica, total ou parcial, de um caractere de outrem, aumentando o sentimento de valia própria. Freud descreve como característico como do trabalho do sonho o processo que traduz a reação de semelhança, o “tudo como se”, por uma substituição de uma imagem por outra ou “identificação”.
Ex: A de uma pessoa de cor negra adotar uma “identidade” de branco e exprimir preconceito com os semelhantes.

3.7 Regressão

Refugio do ego, fuga de uma situação conflitante atual para estagio anterior.
Ex: A criança, já grandinha, que, por um fracasso na escola, volta a urinar na cama.

3.8 Isolamento

Freud reduz, em última análise, a tendência para o isolamento a um modo arcaico de defesa contra a pulsão, a interdição de tocar, uma vez que “… o contato corporal é a finalidade imediata do investimento de objeto, quer o agressivo quer o terno”.
Consiste no isolamento de pensamentos e comportamentos a tal ponto que suas ligações a outros pensamentos, ou com os autoconhecimentos, ficam absolutamente interrompida.

3.9    Formação Reativa

É um processo psíquico que se caracteriza pela adoção de uma atitude de sentido oposto a um desejo que tenha sido recalcado, constituindo-se, então, numa reação contra ele. Uma definição: é o processo psíquico, por meio do qual um impulso indesejável é mantido inconsciente, por conta de uma forte adesão ao seu contrário.
Muitas atitudes neuróticas existem que são tentativas evidentes de negar ou reprimir alguns impulsos, ou de defender a pessoa contra um perigo instintivo. São atitudes tolhidas rígidas, que obstam a expressão de impulsos contrários, os quais, no entanto, de vez em quando, irrompem por diversos modos.
Nas peculiaridades desta ordem, a psicanálise, psicologia “desmascaradora” que é, consegue provar que a atitude oposta original ainda está presente no inconsciente.Chamam-se formações reativas estas atitudes opostas secundárias.
As formações reativas representam mecanismo de defesa separado e independente? Dão mais impressão de constituir conseqüência e reafirmação de uma repressão estabelecida. Quando menos, contudo, significam certo tipo de repressão que é possível distinguir de outras repressões. Digamos: É um tipo de repressão em que a contractexia é manifesta e que, portanto, tem êxito no evitar de atos repressivos muito repetidos de repetidos de repressão secundária. As formações reativas evitam repressões secundárias pela promoção de modificação definitiva, “uma vez por todas”, da personalidade. O indivíduo que haja constituído formações reativas não desenvolve certos mecanismos de defesa de que se sirva ante a ameaça de perigo instintivo; modificou a estrutura da sua personalidade, como se este perigo estivesse sem cessar presente, de maneira que esteja pronto sempre que ocorra.

3.10 Substituição

É a substituição de um objeto emocionalmente desejado por outro de forma inconsciente, já que o primeiro não pode ser adquirido.
Ex: O filho não pode se casar com a mãe procura uma mulher parecida com ela para se casar. Uma garota abandonada pelo namorado arranja outro.

3.11 Fantasia

Processo psíquico no qual ocorre uma situação na mente que decorrente na satisfação de um desejo que não pode na vida real ser realizado.
Ex: A garota que não consegue conquistar uma determinada garota passa com freqüência a imaginar-se em situações amorosas com ele.

3.12 Compensação

Comportamento de valorização de uma característica própria visando compensar alguma deficiência.

3.13 Expiação

É o processo psíquico no qual o superego gera um sentimento de culpa e o individuo quer pagar pelo seu erro imediatamente.

3.14 Negação

Anna Freud chamou este tipo de recusa do reconhecimento do desprazer em geral “pré-estádios da defesa”.
É negar uma realidade desagradável, negação que realiza desejos e exprime afetividade do principio do prazer.
Ex: A mãe que avisada que o filho é um criminoso, não procura investigar e afirma que aquilo não é verdade.

3.15 Fuga

 Processo no qual o individuo evita situações que podem  provocar frustrações.
Ex: Um aluno desesperado para um exame apresenta no dia uma terrível dor de cabaça, que o impede de realizar a prova.

3.16 Introjeção

Originalmente, a idéia de engolir um objeto exprime afirmação; e como tal é o protótipo de satisfação instintiva, e não de defesa contra os instintos. No estádio do ego prazeroso purificado, tudo quanto agrada é introjetado. Em última análise, todos os objetos sexuais derivam de objetivos de incorporação. Do mesmo passo, a projeção é o protótipo da recuperação daquela onipotência que foi projetada para os adultos. Contudo, a incorporação, embora exprima “amor”, destrói objetivamente os objetos como tais, como coisas independentes do mundo exterior. Precebendo este fato, o ego aprende a usar a introjeção para fins hostis como executora de impulsos destrutivos e também como modelo de um mecanismo definido de defesa.
A incorporação é o objetivo mais arcaico dentre os que se dirigem para um objeto. A identificação, realizada através da introjeção, é o tipo mais primitivo de relação com os objetos.


[1] Outro termo que remete a mecanismo de defesas.

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