Sartre ver na figura do outro o nosso inferno. Questiona nossas crenças e ações, onde tais não são certos ou errados, mas uma condição na qual buscamos no olhar do outro nossa existência, ao momento que precisamos do outro para nos definir, onde nossa essência é formada não por uma entidade superior mais pelos diferentes julgamentos a nós feitos.
Somos sujeitos transformando o outro em objeto, e somos objetos na
consciência do outro. “O olhar do outro me rouba o mundo que era meu e rouba a
minha intimidade.” (Fernando José). Diante desse conflito tento me diferenciar
dos objetos, transformando os outros, tentando escapar eu próprio de virar
objeto desse.
Mas se sou livre e consciente de meus atos, e os condicionamentos
histórico-sociais podem ser transpostos, os outros se tornam apenas os outros.
Eu me torno meu próprio inferno, com meus medos, sonhos, ambições e desejos.
Esse é o dilema encontrado a meu ver. Como pode um ser social, não ser
determinado por alguma instancia? E se somos livres e incondicionados, como
podemos atribuir aos outros nossas dores e medos e a eles nosso inferno?
Para Sartre, a resposta é a conduta de má-fé por nós utilizados para
ocultar os nossos verdadeiros anseios. Mentimos não para os outros, mas para
nós mesmo, tentando fugir do olhar julgador de nossos infernos.
Mas caso a mentira recaia no nosso ímpeto, torno meu próprio inferno,
martirizo diante do que os outros iram pensar, sendo dessa forma condicionados
a regras já preestabelecidas e minha liberdade perde-se em sua essência.
Diante de tantas incertezas, e tantas informações conflitantes, que
bombardeiam fazendo-nos angustiar e perdidos em nossos pensamentos a ignorância
não se torna uma benção?
A beleza do universo e da vida está nos mistérios que tentamos desvendar
e acabamos, por muitas das vezes, esquecendo-se de viver a vida, perdendo nossa
essência, e passando apenas a existir.
O inferno é tudo que queremos que ele seja. São nossos medos mais
profundos, é a roupa fora de moda, é o salario no final de mês, a sociedade
repressora, enfim. O inferno é um mistério complexo difícil entender e aceitar.
Pois “existem verdades mais verdadeira do que a própria verdade.” (Paulo
Coelho).
Texto por: Kiever Jonny

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