“A religião é o
suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como
também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo.” (Karl
Marx). Segundo Marx, influenciado pelas idéias de Feuerbach, a religião nada
mais representa do que a vontade do próprio homem e não de um Deus, sendo dessa
forma, a religião uma das maiores alienadores de massa, e uma das mais
importantes instituições para manutenção da ordem segundo Durkheim. Marx
relacionava o avanço do sistema capitalista como uma conseqüência
histórico-materialista e que o acumulo de capital predominante durante o
mercantilismo possibilitou a estruturação desse novo sistema.
Marx Weber não conformado com as
idéias marxistas procurou encontrar a gênese do capitalismo não num
materialismo histórico, mas sim num espírito ético-racional, e a necessidade do
surgimento de um novo sistema condizente com a nova realidade que a Europa
vivenciava.
Durante a idade média, a Igreja
Católica detinha todo poder e conhecimento, e era quem determinava as diretrizes
da vida social. O sistema feudal da Europa ocidental e as idéias da doutrina
católica dificultavam o comercio e a obtenção de qualquer tipo de lucro, visto
como essa “impuro aos olhos de Deus”, a visão do trabalho era a de suprir as
necessidades e não o acumulo.
Lutero insatisfeito com certas
atitudes da igreja possibilita uma reforma, essa que passaria a ter não mais
uma intenção única religiosa mais sim de interesses burgueses que não se
contentavam com os dogmas do catolicismo.
Weber enxerga como resultante dessa
reforma uma ética que de forma direta ou/e direta influenciaria o rumo da
sociedade, ele buscou no protestantismo, principalmente o de Calvino, essa
ética racionalista que permitiu o advento do “espírito do capitalismo”.
Mas o que seria esse “espírito do
capitalismo”?
Para Weber as práticas e ideais pela
busca racional de “lucro” de forma ética seria a definição desse espírito. Que
coexistia em outras civilizações, mas que necessitariam de algo a mais para
formação de um novo sistema. "Por forma a que uma forma de vida bem
adaptada às peculiaridades do capitalismo possa predominar sobre outras (formas
de organização), ela tinha de ter origem algures, e não pela ação de indivíduos
isolados, mas como uma forma de vida comum aos grupos de homens”. (Marx Weber)
A desilusão do mundo seria uma
peculiaridade da sociedade ocidental, sendo que não foi exclusivamente às
idéias religiosas puritanas o responsável pela gênese desse espírito; ela advém
relacionada a outros fatores, tais como, o racionalismo na ciência, a mescla da
observação com a matemática, a jurisprudência, sistematização racional da
administração governativa e o empreendimento econômico.
O capitalismo já existia desde a
antiguidade, com os mercadores gregos, a comercialização de escravos no império
romano, e o mercantilismo dos impérios orientais, mas não existia o espírito do
capitalismo. Esse capitalismo tradicional
só tinha por objetivo a obtenção de lucro visando à sobrevivência e status. O
capitalismo moderno (racional) via na comercialização maciça de produtos
simples e com baixos preços a obtenção de um lucro muito maior em um menor
espaço de tempo.
Dessa forma Weber consegue,
contestar as teorias marxistas, já que não foi o acumulo de capitais que
possibilitou o surgimento do capitalismo moderno e sim, uma mudança no
comportamento, um “espírito do Capitalismo” provindo da cultura protestante.
Em seus estudos Weber constatou
singularidades nos países que provinham do ideal protestantismo, em que se
percebia um notório crescimento econômico a exemplo da Alemanha. Mais de que
forma o protestantismo influenciou a formação desse sistema capitalista
moderno, “será o capitalismo protestante?”
O calvinismo contrapôs os ideais do
catolicismo, a quebra de um intermédio para a comunicação com Deus, e a
predestinação proposta por essa nova ideologia possibilitou sim a formação do
capitalismo moderno, mas Weber nunca fez junção de tais, só a utilização desses
ideais para estruturar o sistema.
Se o homem não precisa mais de
padre, arcebispo, e ninguém que sirva como ponte para comunicar-se com Deus, o
homem poderia em seus próprios aposentos e de forma singular e única chegar ao
sagrado, isso possível graças a imprensa, o que mudaria sua concepção e
possibilitaria um interpretação própria da palavra. Com a mudança do sistema de
produção, a quebra da comunidade e o contrato de trabalho pelo servo e proteção
pelo senhor da idade media, o homem era cada vez mais só, e sobrava mais tempos
para atividades individuais, tais que valorizavam o trabalho, sendo para glorificação
de Deus, o acúmulo de riquezas não poderia ser utilizado para prazeres mundanos.
A predestinação dava suporte para justificação
da busca por esse trabalho e as desigualdades do mundo. Deus escolhia a pessoas
que já estariam salva independentemente de suas ações, e a prova dessa
consagração seria a possibilidade de juntar riquezas, assim o trabalho era uma David
vocação de Deus.
Marx Weber mostrou-se neutro
enquanto a defesa de um sistema econômico, diferente de Durkhiem que defendia o
capitalismo e de Karl Marx que defendia o socialismo, Weber apenas procurou
encontrar soluções para problemas sociais, e para isso era necessário encontrar
a gênese desse sistema.
Ainda
ressaltou a emancipação do sistema aos preceitos religiosos, que não obteve total
sucesso devido as marcas do tradicionalismo e das incertezas da vida que habitava
o interior humano. O capitalismo ocidental possui um "ethos
particular", pois é dotado de uma concepção utilitarista, mediante as
qualidades que mais se destacam, como por exemplo: a honestidade financeira, na
medida em que esta prática atinge níveis consideráveis dentro do campo do
irracionalismo e do transcendentalismo religioso protestante. Coexistindo ai
uma “ética social” onde aqueles que não seguirem as regras, sejam empresários
ou empregados serão “excluídos”. Dando muita ênfase a divisão do trabalho que
foi um conseqüência racional das medidas desse novo sistema, desta forma
precisava-se encontrar uma justificação para a utilidade do lucro que não
remetesse a uma glória de Deus transformando a busca de lucros pelos puritanos
insensatamente.
“A análise das relações entre o puritanismo e o capitalismo
não é, afinal de contas, senão uma ilustração sugestiva desse estado
fundamental de coisas, pois mostra como uma atitude cujas fontes são religiosas
determina um comportamento moral que, por sua vez, encontra campo de aplicação
nos negócios profanos.” (Zakeu A. Zengo).
Condizendo
com os pensamentos de Karl Marx, que as idéias dominante nunca passaram das
idéias das classes dominantes onde buscam na religião a manipulação de massa
para seu interesse, já que o mistério da vida, obscurece a vista e precisamos
de um sustento para que esse consiga viver plenamente.
Tudo isso na minha concepção surge
sim de um processo histórico, baseado de lutas, não de classes como defendia
Karl Marx, mas de ideologias construídas para suprir a necessidade da vida
conforme Hengel defendia, e que essa ética racional e reestruturação do modelos
de produção foram o estopim para a mudança de sistema que os novos tempos
ansiavam, mas que sim demandam de um processo construído através dos séculos
que seria o responsável pela moldagem dos ideais e concepções de vida, dessa
forma me contraponho a Weber ao considerar que sim foi necessário um reforma
mas que essa devinha de uma pensamento já antigo de acumulações de ideais e
anseios de classes que almejavam o poder e encontraram a oportunidade perfeita
para firma-se utilizando do que o homem mais teme, a vida pós a morte. O que
não tira a beleza da obras e a percepção de suas justificativas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário